Drama · Literatura Estrangeira · Resenhas

O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne

 “‘E nós, somos judeus?’
Gretel abriu a boca  espantada, como se tivesse recebido um tapa no rosto.’Não Bruno’, disse ela, ‘Nós absolutamente não somos judeus. E você não devia sequer dizer uma coisa dessas.’
‘Mas por que não? O que nós somos, então?’
‘Nós somos…’, começou Gretel, mas então teve que parar e pensar a respeito. ‘Somos…’, repetiu, ainda sem saber qual era a resposta para essa pergunta. ‘Bem, não somos judeus’, disse ela afinal.
‘Já sei que não somos’, disse Bruno, frustrado. ‘Estou perguntando: já que não somos judeus, o que nós somos então?’
‘Somos o contrário’, disse Gretel, respondendo rapidamente e parecendo mais satisfeita com esta resposta. ‘Sim, é isso. Nós somos o contrário’
‘Certo’, disse Bruno, feliz porque finalmente esclareceu o problema. ‘E o contrário mora deste lado da cerca, e os judeus, daquele lado.’
‘É isso mesmo, Bruno’
‘Os judeus não gostam do contrário, então?
‘Não, estúpido, somos nós que não gostamos deles.’
‘Então, porque não gostamos deles?’,perguntou ele.
‘Porque são judeus’, disse Gretel.”

Este é outro dos meus livros favoritos! A história é linda e muito emocionante. E, assim como n’A Menina que Roubava Livros, eu também chorei no final…

Bom, pra resumir, a história se passa durante a 2ª Guerra Mundial e o protagonista é uma criança (como em A Menina que Roubava Livros): Bruno, um menino alemão cujo pai é um oficial nazista. Ele e sua família moram em Berlim, mas durante a guerra, seu pai é mandado para um trabalho em outra cidade, para a qual eles se mudam. Bruno não quer se mudar, pois terá que deixar tudo o que tem em Berlim pra trás, mas ele tem que ir com a família de qualquer jeito. Chegando ao novo lar, ele vê que só há a casa deles, não tem vizinho nenhum e muito menos crianças pra brincar. É aí então que ele, da janela de seu quarto, vê muitas pessoas (inclusive muitas crianças!) pra lá de uma cerca no fundo do quintal, todas usando as mesmas roupas: um pijama listrado. Como fica infeliz por não ter nada pra fazer na nova casa a não ser brincar sozinho, depois de uns dias Bruno acaba por começar a fazer uma coisa que adorava fazer em Berlim: explorar. É aí que ele resolve explorar seu quintal, incluindo a cerca, pra ver se consegue descobrir que lugar é aquele e tentar achar alguém pra brincar. Durante sua primeira exploração, acaba encontrando um menino, Shmuel, sentado ao lado da cerca. Os dois, então, começam uma amizade improvável, na qual não há preconceitos e pressuposições entre eles (afinal, Bruno é alemão, filho de nazista, e Shmuel é judeu e vive no campo de concentração que é comandado pelo pai de Bruno). A partir daí, na minha opinião, a história fica muito emocionante e simplesmente genial!

A melhor parte desse livro é que nada é totalmente exposto, isto é, a história é contada do ponto de vista de Bruno, uma criança inocente, que não recebe informações sobre nada do que está acontecendo no mundo e, muito menos, do outro lado da cerca. Tanto ele quanto Shmuel, que é o menino do pijama listrado que dá nome ao livro, são ignorantes a respeito da guerra e das atrocidades do Holocausto (e dos porquês de tudo isso). Na minha opinião, isso deixa a história muito mais comovente, além de nos fazer refletir no quanto a guerra e, mais especificamente, o Holocausto foram tão desumanos e sem justificativa válida.

Leia O Menino do Pijama Listrado; é curtinho, mas contém uma grande mensagem!

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Um comentário em “O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne

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